Transtornos do comportamento disruptivo: o que são e como tratar?

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Por surgirem primeiramente na infância e na adolescência, os transtornos do comportamento disruptivo são difíceis de serem diagnosticados: afinal, quando é que se trata apenas de um comportamento mais rebelde, típico da idade, ou de uma conduta que necessita de mais atenção e acompanhamento com um especialista?

É o que vamos elucidar neste texto. Confira, agora, quais são os principais transtornos do comportamento disruptivo, suas características e sinais que o indivíduo pode apresentar e quais são os tratamentos mais comuns e eficazes.

O que são os transtornos do comportamento disruptivo?

Em poucas palavras, podemos definí-los como comportamentos de transgressão, desafiadores e antissociais que, quando não tratados de forma adequada, podem trazer consequências para a vida do invidíduo adulto. Isso porque uma pessoa extremamente agressiva na infância e adolescência (que bate, quebra, xinga etc.) pode vir a se tornar um adulto com práticas antissociais (roubo, vandalismo, mentiras etc).

Daí a dificuldade do diagnóstico, visto que algumas atitudes são normais em muitas fases da infância e da adolescência — mas não é impossível.

Mentir, matar aula, ter ataques de raiva e contrariar os pais (ou responsáveis), por exemplo, são comportamentos vistos como normais, quando ocorrem esporadicamente. Mas se essas ações se tornam hábitos prejudiciais ao jovem que o pratica — ou, até mesmo, ameaça a ele e a outras pessoas — elas podem atingir esferas mais sérias no presente momento ou com o passar dos anos.

Logo, se algo for notado, é preciso levar a criança ou o adolescente ao médico (nesse caso, um psiquiatra) para avaliação. Apenas ele será capaz de realizar o diagnóstico e indicar o melhor tratamento, se confirmado o transtorno.

Quais são os principais e como identificá-los?

Transtorno Desafiador Opositivo (TDO)

Caracteriza-se por uma soma de comportamentos desafiadores, negativistas, hostis, desobedientes em relação a figuras de autoridade. Normalmente, se manifesta antes dos oito anos de idade e para ser diagnosticado, é preciso que a criança apresente alguns padrões por, no mínimo, 6 meses consecutivos.

Alguns sinais que merecem atenção são:

  • raiva, ressentimento, rancor e sentimento de vingança frequentes;

  • perda constante da calma;

  • questionamentos e discussões frequentes com adultos, além de desobediência;

  • comportamento incomodativo;

  • costume de responsabilizar os outros por suas atitudes inadequadas.

Transtorno de Conduta (TC)

As crianças que recebem o diagnóstico de TDO, costumam apresentar o Transtorno de Conduta posteriormente. Assim como é grande também a probabilidade de apresentarem o Transtorno de Personalidade Antissocial após os 18 anos — por isso a necessidade de um tratamento precoce, a fim de não prejudicar todas as fases da vida do indivíduo.

O TC se caracteriza por comportamentos antissociais difíceis de lidar e que trazem prejuízos e consequências para quem o tem e quem convive com o jovem. Nesses casos, atitudes padrões e repetitivas são comuns, violando regras sociais e normas, o indivíduo não demonstra muita empatia ou preocupação com os sentimentos e o bem-estar das outras pessoas.

Alguns comportamentos que podem ser sinais de TC quando praticados por, no mínimo, 12 meses:

  • envolvimento em brigas e lutas corporais;

  • crueldade com animais e pessoas;

  • provocações e ameaças frequentes;

  • roubo e coação sexual;

  • incêndios propositais, destruição e invasão de propriedade;

  • uso de drogas ilícitas;

  • permanência na rua sem a autorização dos pais (antes dos 13 anos);

  • faltas frequentes na escola (também antes dos 13 anos).

Vale lembrar que o TC pode ser de difícil diagnóstico, visto que os jovens possuem grande capacidade de manipular e mentir.

Quais são os tratamentos?

Assim que o diagnóstico é confirmado, o profissional trabalha para promover o ajuste comportamental. Para tanto, alguns pilares do tratamento são o uso de medicamentos, a psicoterapia comportamental, intervenções educacionais e atividades lúdicas. 

É importante salientar que cada caso é um caso e apenas um médico é capaz de realizar a confirmação e indicar o tratamento adequado. Além disso, há outros transtornos do comportamento disruptivo que podem surgir em diversas fases da vida, como o Distúrbio de Déficit de Atenção e Hiperatividade, o Transtorno de Oposição Desafiadora e o Transtorno do Impulso. Se alguns sinais foram percebidos de forma exagerada e prolongada, não exite em buscar orientação profissional.

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Dra Karine Cunha

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O blog Dra Karine Cunha oferece os melhores conteúdos dedicados à saúde mental.

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